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Caracterização
 

Um estudo de 1999, sobre a caracterização da Comunidade Cabo-verdiana residente em Portugal, encomendado pela Embaixada de Cabo Verde, apresentou como notas conclusivas os seguintes pontos que até hoje não terão sofridas grandes alterações:

* Trata-se de uma população muito superior ao representado nos dados oficiais

* Uma população concentrada na área metropolitana de Lisboa e em situação de suburbanização (Apesar de todos as tentativas de Programas Especiais de Realojamento efectuadas pelas Câmaras Municipais)

* Uma população jovem com potencial de crescimento

* Uma população que mantém estreitos contactos com o país de origem e com as outras comunidades na diáspora

* Uma população caracterizada por uma inserção precária no mercado de trabalho (quadro anexo)

* Uma população caracterizada pela baixa escolaridade e por percursos escolares problemáticos

* Uma população que procura Portugal não só como destino de emigração mas também como plataforma migratória

* Um processo migratório que é desestruturador das relações familiares

* Esta comunidade tem desenvolvido um forte potencial associativo, cerca de 40 Associações de Cabo-verdianos e recentemente organizaram-se numa Federação das Organizações Caboverdeanas que ainda se encontra em fase de consolidação.

Entretanto tem-se constatado problemáticas recentes e outros persistentes conforme expresso nas conclusões do encontro “A Problemática da Integração dos Descendentes de Cabo-verdianos na Diáspora” realizado em Lisboa:

* A escolarização dos jovens de origem cabo-verdiana em Portugal apresenta dificuldades, sendo que o abandono escolar precoce é uma consequência

* Existe uma sub estimação das reais capacidades dos alunos, com a consequente desvalorização identitária e efeitos negativos para a sua auto - estima e aprendizagem

* As dificuldades socio-económicas relacionadas com a deficiente inserção social das famílias (habitação em bairros degradados, famílias numerosas, desemprego, etc.), são exacerbadas pela Escola, servindo de permanente justificação para o insucesso escolar dos alunos, o que contribui para a inércia institucional e desresponsabilização dos educadores

* Ausência ou dificuldade de diálogo entre a Escola e a Família

* As Famílias, estão confrontadas com habitação precária, desemprego e outros problemas sociais que originam disfuncionalidade e ruptura. Os pais forçados a trabalhar muitas horas fora de casa não dispõem de tempo para acompanhar os filhos que ficam entregues a si próprios, na companhia de uma televisão ou no espaço da rua

* As dificuldades dos pais no acompanhamento escolar dos seus filhos alimentam uma cultura de desresponsabilização que torna difícil a relação com a Escola;  existe um deficit na transmissão cultural de pais para filhos em alguns países de acolhimento, dado o pouco tempo de comunhão das famílias

* Os casos de delinquência juvenil e a gravidez precoce em adolescentes estão na origem da destruturação familiar e do isolamento social

* A emigração pode constituir um factor destruturante das famílias porque impõe modelos novos de adaptação à sociedade de acolhimento, que as famílias sozinhas não conseguem por vezes corresponder e acabam por entrar em situações de conflito

* A questão da identidade dos jovens, permanentemente referida como problemática, legitima uma falsa questão, na medida em que as distintas identificações culturais eventualmente feitas, quer com o meio sócio cultural onde residem, quer a partir de outros, não atingem necessariamente o sentimento da sua verdadeira cabo - verdianidade

* A imagem dos jovens, construída em termos da comunicação social, nem sempre é positiva. É consensual a necessidade de uma maior intervenção junto desses órgãos, para o acolhimento e divulgação das acções positivas protagonizadas por jovens

* A integração de jovens descendentes de cabo-verdianos nos países da diáspora constitui um desafio, que passa pela valorização das suas competências sociais e profissionais, de que as políticas bilaterais de cooperação Portugal/Cabo Verde deveriam ter em conta


Mais informações no site do Instituto das Comunidades

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